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sábado, 17 de maio de 2008

A Pergunta que Não quer Calar...


Não me aventuro mais a ir ao centro de carro.Estacionar por aqui está pior do que em São Paulo.
Ontem resolvi experimentar o metrô!Peguei uma revista e lá fui eu.Comecei a ler uma crônica na revista Marie Claire de um moço grafiteiro que se viu em maus lençóis quando ele e o amigo foram assaltados por uma gangue neonazista, que já chegou dando porrada.

Estava nesse palpitante momento, quando tive que descer do Metrô e adiar a leitura pra mais adiante. Mas a pergunta que o moço grafiteiro se fez e decidiu pichar na parede do Jockey Club do Rio em lugar de grafitar seus desenhos também não me saiu da cabeça até agora:

E se a África fosse branca?

Não precisa ir muito longe, não precisa chamar a Cruz Vermelha nem fazer filme de denúncia, nem comparar nossas modelinhos esquálidas com as cadavéricas negras da Somália. E bater no peito um mea culpa. E pedir perdão pelos pecados.É só perguntar mentalmente e roubar cinco minutos da vida sem tempo pra refletir na resposta óbvia, que todo mundo sabe.Ah, sim. Agora que cheguei em casa, vou retomar a leitura correndo pra saber o que aconteceu com os pobres grafiteiros!
Em tempo: não era crônica, e sim conto, com um tom de fim de mundo. Mesmo assim a pergunta continua não calando. E se a África fosse branca?